Empresas não falham por falta de planos, e sim por falta de disciplina na execução
Vivemos em um mundo BANI (frágil, ansioso, não linear e incompreensível), onde a velocidade da mudança exige das empresas algo que vai além de boas ideias e planejamentos bem-feitos: disciplina na execução. Embora muitos gestores associem a disciplina a rigidez ou controle excessivo, ela é, na verdade, o elemento que separa as organizações que entregam resultados reais daquelas que ficam presas em apresentações impecáveis, mas sem impacto prático.
No ambiente corporativo, planejar é glamouroso. É o momento dos encontros de liderança, das metas ambiciosas e das apresentações inspiradoras. Mas, quando o entusiasmo passa, resta a pergunta que poucos têm coragem de fazer:
“Por que o plano de 2025 não saiu do papel?”
A resposta está na diferença entre estratégia e execução. Segundo Bossidy & Charan(Execução: a Disciplina Para Atingir Resultados), em 70% dos casos o problema não é uma estratégia ruim, mas sim uma execução falha. A maioria das estratégias morre não por falta de visão, mas porque há um abismo entre a intenção estratégica e a ação operacional. Juntos, eles defendem que a execução é a principal disciplina da liderança — não basta ter uma boa estratégia se a organização não for capaz de colocá-la em prática de forma consistente.
A Pirâmide Estratégica: da ideia à execução

- Missão: É a razão de existir da organização. Deve ser clara, inspiradora e voltada para gerar valor real ao cliente e à sociedade.
- Valores: São os princípios que orientam comportamentos e decisões. Mais do que palavras bonitas, precisam ser praticados em cada escolha.
- Visão: Representa o futuro desejado. Um norte que guia a evolução da empresa e inspira seus colaboradores.
❌ Erro comum: Ter propósitos bonitos na parede, mas vazios nas decisões do dia a dia. Propósito sem prática vira decoração corporativa.
- Intenção Estratégica: É o foco principal da organização para alcançar sua visão. Deve ser ambiciosa, mas realista, e servir como bússola para todas as áreas.
- Direcionadores: São os pilares que sustentam a estratégia: diferenciação, eficiência, inovação, experiência do cliente, entre outros.
- Facilitadores: Incluem cultura organizacional, tecnologia, estrutura e liderança. Sem eles, a estratégia não sai do papel.
❌Erro comum: Dizer “sim” para tudo, gerando dispersão e falta de foco. Estratégia exige escolhas — e renúncias.
- Metas e Iniciativas: Traduzem a estratégia em ações concretas. Devem ser específicas, mensuráveis e distribuídas entre equipes.
- Indicadores de Desempenho: Permitem acompanhar o progresso e corrigir rotas. Sem métricas, não há gestão.
- Mapa Estratégico: Conecta objetivos, indicadores e iniciativas em uma visão integrada. É a ponte entre o planejamento e a operação.
❌ Erro comum: Tratar a execução como consequência automática do planejamento. Sem disciplina, acompanhamento e ajustes, o plano vira apenas uma boa intenção.
O que empresas que executam com excelência fazem diferente
Líderes que vivem a execução, não apenas a delegam.
Processos claros que conectam pessoas, estratégia e operação.
Cultura de enfrentamento da realidade, sem zonas de conforto.
Follow-through implacável: o que foi decidido, é feito.
Essas empresas não se contentam com boas intenções — transformam planos em rotina operacional disciplinada.
Antes de aprovar o planejamento de 2026, reflita:
Seu propósito orienta decisões difíceis ou só enfeita as paredes?
Sua estratégia contém escolhas reais ou apenas intenções genéricas?
Sua execução é movida por disciplina ou apenas por reuniões sobre reuniões?
Estratégias não fracassam por falta de boas ideias — elas falham quando não são acompanhadas por uma execução de alto nível.
Se você quer que o plano de 2026 traga resultados reais, comece fortalecendo a base: pessoas, processos e disciplina.
Leituras recomendadas:


Ter líderes capacitados em todos os níveis de uma organização é fundamental para o sucesso a longo prazo. Mesmo assim, em muitas empresas é comum que o pipeline de liderança – a arquitetura interna para o desenvolvimento de gestores – esteja comprometido ou nem sequer exista.
Nesta edição revista de Pipeline de liderança, Ram Charan, Stephen Drotter e James Noel ampliaram o conteúdo para incorporar os desafios do mundo de hoje.
Com base no trabalho realizado em mais de 100 empresas ao longo de 10 anos, eles compartilham o aprendizado obtido desde a publicação da primeira edição e oferecem seu modelo testado e comprovado para construir e desenvolver planos de carreira, planejar sucessões e formar líderes.

Liderança não tem a ver com cargos, status ou poder. Um líder é qualquer pessoa que se responsabiliza por reconhecer o potencial nas pessoas e em suas ideias e tem a iniciativa de desenvolvê-lo.
Quando temos coragem de liderar, não temos a pretensão de ter sempre as respostas certas, mas nos mostramos curiosos e fazemos as perguntas corretas. Não vemos o poder como algo limitado e tentamos concentrá-lo em nossas mãos; sabemos que o poder é ilimitado quando compartilhado. Não evitamos conversas e situações difíceis; recorremos à vulnerabilidade porque sabemos que ela é necessária para alcançar bons resultados.
Mas a liderança corajosa em uma cultura definida pela escassez, pelo medo e pela incerteza requer o desenvolvimento de habilidades que são profunda e exclusivamente humanas. A ironia é que temos escolhido não investir no desenvolvimento do coração e da mente de líderes ao mesmo tempo que tentamos desesperadamente entender o que temos a oferecer. O que podemos fazer que as máquinas e a inteligência artificial não façam mais rápido e melhor? Empatia, conexão e coragem são um bom começo.
